Um ano que voou, como todos os outros




Eu já não me espanto com essa coisa de ela ter saído de dentro de mim por mais espantoso que isso seja. Acho que no segundo filho a gente se acostuma com a idéia maluca da natureza de insistir que homens e mulheres se multipliquem quando tudo já vem pronto de fábrica. Mas eu queria falar mesmo dessa coisa de não se espantar. Meu espanto agora é outro. Quando a gente vê que um ano da vida voou e que noites maldormidas, fraldas trocadas, manhãs divertidas, olhares apaixonados e perguntas descabidas se sucedem na velocidade própria do tempo enquanto a vida acontece, a gente se pergunta o que fazia antes de toda nossa grade horária estar tomada. Não é um espanto?
Ontem mesmo – juro que foi ontem – ela estava dentro da minha barriga (foto). Aí eu anunciei para o meu marido que as contrações estavam rápidas demais e, quando dei por mim, ela tinha nascido, engatinhado, segurado a mamadeira e iniciado o biduiêiê que toda manhã vem do quarto ao lado nos chamar.
Um ano correu desse jeito e agora quem tenta correr é ela quando vê a gente chegar da rua. Chegar é sempre uma festa e partir, uma dor indizível. Eu ia dizendo também que a grade horária ficou tomada, mas tempo se arranja quando o bem-querer é incondicional. Fica tudo irrestrito.

O que se dizia do provável ciúmes da irmã (mãozinha da foto) não se cumpriu. A barriga sumiu, o cansaço veio e foi, vem e vai, e a única certeza que tenho é que a experiência de todo mundo é diferente da minha e da sua, embora um ano na vida de toda gente também passe de uma hora para outra.
O choro fraco ficou forte, os cabelos ficaram fartos e até o refluxo curou. A menina andou, sapatos perdeu e o olhar de dúvida se aprimorou em variantes infinitas de muitas interrogações. Para respondê-las, há que se informar. Não acredito nisso de ser pai e mãe por acaso, já que seres humanos não vêm prontos de fábrica. Para formá-los, precisamos estudar, além de amar, sobre todas as coisas.
O sorriso enfeitado por dois dentinhos vira gargalhada nos domínios da irmã, onde os brinquedos são os mais legais que tem. Pra quê mais? Teve roupa que ela nem usou, tão rápido que foi. Não é que foi assim que o tempo passou? E os cantos da casa tão ótimos de se enfiar, decifrados por palavras que a gente tenta intuir. Há que procurar coisas por aí até achar: uma sujeira no chão, a tomada na parede ou as chaves em cima da mesa, baixa demais para continuar entrando debaixo em pé. Você cresce, neném, onde pretende parar? Não vá com sua pressa me envelhecer.
Hoje sou só alegria e gratidão. É imenso de acontecimentos este ano que correu diante de mim, de ontem para hoje, é bom lembrar, antes que você ache que eu me confundi.

A verdade é que o primeiro aniversário da minha bebê não cabe neste texto mas está inteirinho registrado em flashes felizes nos meus pensamentos.



por: Isabel Clemente



quando li o texto acima, me emocionei mto, não pude segurar as lágrimas...Me identifiquei  com isso tudo...
 AMO ISSO TUDO..VIVO ISSO TUDO!
Minha pequena e amada  Rafaela, está a 30 dias de completar seu primeiro aninho e não tenho palavras
pra expressar meu amor ...
ela é o meu coração fora do corpo...minha vida...
^^
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